Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar auxilia pescadores
"Agora a gente consegue fazer planos e a previsão é muito boa para o próximo ano, queremos comprar até uma caminhonete refrigerada. Antigamente eu não tinha programação", conta o pescador profissional artesanal de Xangri-lá, Jaime Souza da Silva, que explica a diferença entre o processo de produção que ele tinha antes e depois que aderiu ao Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar, implantando uma agroindústria de pescado no ano passado.
"Antes a gente pescava e vendia um quilinho aqui, outro ali, e ia gastando o dinheiro. No final do mês não tinha nada. Não tínhamos controle. Agora temos tudo anotado e conseguimos nos programar para ter uma renda mensal. Um balanço agora é possível", comemora o pescador, que faz parte da terceira geração na atividade e reconhece que a Emater/RS-Ascar foi ponto chave para que estas mudanças começassem a acontecer. "Eles me deram uma força muito grande e com o tempo fomos amadurecendo a ideia de colocarmos uma agroindústria", explica.
Os extensionistas da Emater/RS-Ascar em Xangri-lá, Ivamar Silva Oliveira e Adriana Ribeiro Leal, acompanham a trajetória da família de longa data e ajudaram ele, a esposa e o filho a montar uma estratégia para saber o quanto estava rendendo a atividade para eles, porque antes não sabiam, e a fazer sair do papel o sonho da agroindústria. "Encaminhamos o pescador para fazer cursos, como o de boas práticas de fabricação. Elaboramos o projeto para a agroindústria e a legalização, além de fazermos um controle de custos e dos lucros da atividade pesqueira com a família", esclarece Oliveira.
Com a legalização da agroindústria de pescado, a esposa e o filho de Jaime trabalham junto, fato que o presidente da Emater/RS, Clair Kuhn, considera primordial para a garantia da sucessão familiar. "Desde que cheguei na Emater, o pano de fundo de todas as atividades é a sucessão rural: o jovem assumir a propriedade do pai com condições. E esse debate em termos de gestão da propriedade, ao aderir ao Programa de Gestão, envolve toda a família. E o filho começa a participar, isso faz com que ele aprenda o que o pai tem de atividade e desenvolva gosto por isso. E que o pai possa abrir a propriedade para que o filho possa estar assumindo. Porque se não tiver gerenciamento, não tem rentabilidade e o jovem não fica no campo. Essa é a grande meta, ficar na propriedade rural tendo renda e lucratividade, cuidando do meio ambiente e da área social. Mas o jovem tem de estar incluído nesse processo", avalia Kuhn.
A formalização também foi responsável pelo aumento da demanda pelo pescado beneficiado pela família, que hoje fornece para três restaurantes do município. "Hoje está muito bom, estamos trabalhando com uma organização bem diferente e a agroindústria favoreceu bastante o aumento das vendas", avalia Jaime. Além disso, os pescados legalizados serão fornecidos para as famílias carentes selecionadas pelo Cras de Xangri-lá, através do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar e, futuramente, eles poderão entregar para as escolas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
Entenda o Programa de Gestão
O Programa de Gestão Sustentável na Agricultura Familiar, que foi instituído em 2016, sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) com execução da Emater/RS-Ascar, tem por objetivo promover a gestão e adequação socioeconômica e ambiental das propriedades rurais familiares do Rio Grande do Sul.
De acordo com o coordenador estadual do Programa e extensionista da Emater/RS-Ascar, Célio Colle, no programa são levantados indicadores de impactos econômicos, sociais e ambientais, que são acompanhados pela elaboração de planos de gestão e executados por meio das ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social. "Através desse trabalho, busca-se inovar a forma de atuação dos técnicos de extensão rural e qualificar o processo de tomada de decisão, além de contribuir com a geração de políticas públicas, aumentar a renda e a inclusão social e produtiva das famílias rurais".
O presidente da Emater/RS, Clair Kuhn, destaca que a meta do programa, de 2016 até 2019, é sensibilizar 40 mil famílias, com adesão mínima de 20 mil famílias em todos os municípios do Estado. "Além disso, cada escritório municipal deverá definir dois estabelecimentos de referência para a geração de indicadores de impacto na área econômica, social e ambiental durante a execução do Programa, totalizando 984 em todo o Estado. O principal objetivo é aumentar em, pelo menos, 20% a renda das famílias envolvidas através da adequação das atividades produtivas derivadas da nova sistemática de gestão, bem como aumentar a produção e produtividade.
Colle ressalta que, no primeiro ano de execução (2016), 11.087 famílias receberam informações sobre o Programa com 5.039 adesões. Em 2017, mais 12.311 famílias receberam informações com 5.722 adesões. Para 2018, serão 10 mil famílias sensibilizadas e mais 5.060 adesões. "As famílias que, por livre escolha participam do Programa, recebem as orientações e avaliações definidas no Plano Anual de Gestão que é reavaliado pela equipe técnica e a família no final de cada ano".
Kuhn acrescenta que as ferramentas empregadas, com destaque para o diagnóstico econômico, social e ambiental, geram informações sobre a situação do estabelecimento e da família apontando pontos críticos e pontos fortes para promover os ajustes necessários e possíveis pactuados entre a equipe da Emater/RS-Ascar e a família. Essas ações pactuadas são apresentadas no Plano Anual de Gestão. "Dentre as ações previstas para a família deverão constar as necessidades sociais, por exemplo, melhorias nas residências e no entorno, produção para o consumo da família, as necessidades ambientais, por exemplo, o saneamento básico, o abastecimento de água e econômicas como o ajuste técnico no rebanho bovino, ações que levam ao aumento da produtividade das culturas e criações associadas ao aumento da renda agrícola".
Colle afirma que para administrar com eficiência (fazer a coisa certa) e eficácia (alcançar os resultados esperados), de uma unidade produtiva, é imprescindível, dentre outras variáveis, o domínio da tecnologia e do conhecimento dos resultados e dos gastos com os insumos e serviços em cada fase produtiva das atividades, que tem no custo um indicador importante das escolhas do produtor. "Neste sentido, apesar do curto período de execução do Programa os estabelecimentos acompanhados mostraram que é possível realizar ajustes técnicos, dada a ociosidade e/ou mau uso dos recursos disponíveis".
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