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03/07/2017

Gestão rural é destaque em Tarde de Campo em Garibaldi


O Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar do Governo do Estado e a importância das plantas de cobertura de solo e o seu manejo foram os assuntos tratados na Tarde de Campo realizada na última sexta-feira (30/06), na Linha Camargo, em Garibaldi. A atividade promovida pela Emater/RS-Ascar, com apoio da Secretaria Municipal da Agricultura e Pecuária, reuniu 60 produtores do município, que se dedicam principalmente à viticultura. "Eventos como este trazem conhecimento para que os produtores possam trabalhar de maneira diferente, com renda condizente com o seu trabalho", ressaltou o supervisor da Emater/RS-Ascar Regional de Caxias do Sul, Gilberto Bonatto.

Ele apresentou o Programa de Gestão Sustentável, do qual 20 propriedades do município já fazem parte, e outras 20 deverão ingressar nos próximos dois anos. A intenção é ajudar as famílias a organizarem melhor a gestão econômica, social e ambiental das propriedades, chegando a vários indicadores, de forma que elas possam decidir qual é o melhor caminho a seguir, até mesmo para garantir a sucessão rural. Segundo Bonatto, essa organização da propriedade, com assessoramento da Emater/RS-Ascar, vai acontecer de forma gradual, partindo das inovações de custo zero (ajuste tecnológico), e passando pelo incentivo à produtividade, diversificação, administração eficiente (com a racionalização dos recursos disponíveis) e organização dos agricultores (associações, cooperativas). Entre os resultados esperados estão o aumento da renda em pelo menos 20%, o aumento mínimo de 10% na área com práticas conservacionistas, o maior acesso a bens, serviços e políticas públicas e a produção de pelo menos 10 produtos para autoconsumo no estabelecimento. "O futuro das propriedades requer mais gestão e conhecimento, mais tecnologia, rendimento e organização", destacou.

Dando sequência à programação, o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, João Villa, falou sobre o uso das plantas de cobertura e o seu manejo, destacando a importância da vida do solo. Villa apresentou as espécies mais usadas e as mais indicadas para os parreirais, abordando aspectos como época de semeadura e densidade, tolerância ao cobre, custo da semente, germinação, palhada e competidores, entre outros. Ele explicou ainda sobre o manejo da cobertura, que não requer o uso de herbicida. "Não tem porque usar numa planta que vai ajudar a controlar as demais", ressaltou. De acordo com Villa, essa economia também faz parte da gestão da propriedade rural. O engenheiro agrônomo falou também sobre o cultivo sucessivo das plantas de cobertura, enfocando os benefícios, requisitos, espécies adequadas e dosagens de sementes.

Um dos participantes da tarde de campo foi o agricultor Marcos Dagostini, produtor de uva no sistema convencional e orgânico na comunidade de São Gotardo. "Foi muito bom o evento, bem interessante, esclarecedor e produtivo. Sempre o que a gente puder aprender, para melhorar ainda mais, é válido", afirmou.

O agricultor, que já faz parte do Programa Gestão Sustentável da Agricultura Familiar e utiliza as plantas de cobertura do solo há cerca de seis anos, conta que procura usar herbicida o mínimo possível. "Como a gente produz orgânico, pra poder consumir e vender um alimento mais saudável, a gente levou muita coisa da produção orgânica pra convencional. E a gente vê que com as plantas de cobertura o próprio solo melhorou, está bem estruturado, e isso se reflete na produtividade", ressaltou o agricultor.


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