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09/11/2016

Fórum da Rede Leite debate problemas e soluções na cadeia produtiva do leite

O 3º Fórum Técnico da Rede Leite, realizado nesta quarta-feira (09/11), em Ijuí, reuniu agricultores, pesquisadores, extensionistas e representações da indústria e agricultores, no campus da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). O coordenador regional da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Jucelar Berté, o prefeito Fioravante Ballin e o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Carlos Turra, também participaram do encontro. Foram discutidos desafios, problemas e soluções para fortalecer a cadeia produtiva do leite, em um debate que evidenciou diferentes visões sobre mercado e sobre qual deve ser o papel da assistência técnica oferecida aos agricultores.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar Neimar Peroni o Estado e a Extensão Rural têm um papel decisivo na sobrevivência dos agricultores familiares que não se encaixam no perfil esperado pela indústria. "O Estado promove e teria de aprimorar ferramentas e iniciativas, como programas de agroindústrias, organização dos agricultores na cadeia leiteira, cooperativas, gestão, crédito para os produtores continuarem na atividade". Para outro perfil de produtor, aquele que consegue alcançar produtividades em torno dos 30 litros de leite/vaca/dia, existe, segundo Peroni, interesse de parte da indústria em mantê-los próximos, por meio de vínculos de fidelidade, como contratos de fornecimento de insumos e assistência técnica, por exemplo.

"A indústria tem uma capacidade de processamento de 18 milhões de litros/dia. O Estado produz em torno de 11 milhões de litros de leite por dia e consome em torno de 5,5 milhões/dia. Então, existe uma forte demanda por parte da indústria de associar e fidelizar o produtor para poder garantir o funcionamento destas instalações industriais", completou o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar.

"O ponto mais frágil na cadeia produtiva do leite é a falta de fidelidade entre indústria e produtor", disse o professor da Unijuí, economista Dilson Trennepohl. "O centro estratégico da cadeia é o setor industrial e esse setor faz sua estratégia independentemente dos custos dos produtores. A lógica da indústria determina o ritmo dos demais segmentos da cadeia", avaliou Trennepohl.

Na avaliação do diretor executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, o mercado é "uma questão soberana" que define muitas linhas de atuação. Por sua vez, o presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínicos do Rio Grande do Sul (Apil), Wlademir Pedro Dall"Bosco, opinou sobre qual mercado deve ser priorizado. "Temos de produzir olhando para o mercado externo", disse Dall’Bosco.

O presidente da Associação Gaúcha de Empreendimentos Lácteos (AGEL), Carlos Denis de Lima, acredita que há outras possibilidades. "Até que ponto as cadeias curtas são espaço para estes agricultores ou só existe o mercado externo?", indagou Lima.

Assistência técnica

Outro ponto de discussão é a assistência técnica oferecida aos agricultores. De um lado, a indústria sugere que a assistência técnica deve auxiliar na profissionalização do agricultor. De outro, representantes dos agricultores pedem uma assistência técnica voltada às necessidades do agricultor familiar, com forte atuação do poder público. "A assistência técnica deve ser responsabilidade do poder público. Se o leite é estratégico para o local, precisamos de políticas públicas locais", disse Lima.

Preço

A "boa notícia", anunciada por Trennepohl para os próximos meses, é uma provável reação no preço do leite praticado no mercado internacional. "Devemos sair dos dois mil dólares a tonelada para três ou quatro mil dólares a tonelada", projetou o professor da Unijuí. Ainda de acordo com Trennepohl a regularidade no preço das commodities lácteos é cíclica, ocorre a cada três anos.

O representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Remi Beck, desejou que o aumento no preço do leite pudesse, de fato, ter impacto no bolso de quem produz leite. "Fomos desafiados a aumentar a produção e fomos nos endividando. É uma mixaria o preço pago ao agricultor", reclamou Beck.

"Foi fantástico o que aconteceu aqui, temos de continuar esse diálogo com mais frequência", concluiu o debatedor do Fórum, zootecnista da Embrapa, Vinícius Lampert.

À tarde, ocorreram oficinas abordando os seguintes temas: estratégias para superar os vazios forrageiros; atenção postural à saúde do trabalhador rural na atividade leiteira; realidade ambiental da produção leiteira e bem-estar animal; uso de indicadores em unidades de produção familiar com atividade leiteira.

O 3º Fórum Técnico da Rede Leite foi promovido pelas instituições que fazem parte da Rede: Emater/RS-Ascar, Embrapa, Universidade de Cruz Alta (Unicruz), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), Instituto Federal Farroupilha campus Santo Augusto, Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm), Coperfamiliar e Rede Dalacto. O evento contou com o apoio do Sindilat.


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