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15/03/2013

Artesanato de Bento Gonçalves será destaque na Casa Brasil

Em Bento Gonçalves, a massa deixou de ser a principal matéria-prima de capeletis, raviólis, espaguetes e torteis a partir desta semana. Foi substituída por pano, fios, tintas e biscuit. Um projeto promovido pelo Sindmóveis, com apoio da Emater/RS-Ascar e da Secretaria de Turismo, levou para o município o designer Renato Imbroisi e as arquitetas Ana Luiza Lo Pumo e Tina Azevedo Moura. Através de oficinas para 33 artesãs do município, realizadas de segunda a sexta-feira (de 11 a 15/03), na comunidade de Linha Eulália, o trio orientou e desafiou o grupo para a elaboração de artesanato, que será exposto em um espaço na Casa Brasil. O evento de design e negócios, com exposição de produtos contemporâneos de alto padrão para arquitetura e decoração, exposições culturais e seminários internacionais, acontecerá de 13 a 16 de agosto, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves.

Nas primeiras edições do evento, foram expostos artesanatos do Brasil e da África. Neste ano, será a vez das artesãs e artesãos locais, do interior e da cidade, mostrarem o seu talento com a elaboração de uma coleção destinada para cozinha, destacando principalmente o vinho e a gastronomia típica italiana. As artesãs que participam do grupo foram identificadas pela Emater/RS-Ascar do município que, desde agosto do ano passado, vinha promovendo encontros para organização e treinamento do grupo.

A arquiteta Ana Luiza Lo Pumo explica que a ideia é criar uma coleção com a cara de Bento Gonçalves, utilizando técnicas que fazem parte da cultura da região, em palha de trigo e de milho, galho de parreira (que é novidade e uma matéria-prima muito disponível na região), macramê, bordados, pintura em tecido, biscuit, patchwork e nhanduti. “A ideia é trabalhar a identidade local. O artesanato feito pelas mãos das pessoas reflete uma comunidade e tem alto valor agregado. E, hoje, as pessoas estão buscando coisas mais pessoais, que emocionem. Há um certo cansaço da mesmice”, declara.

Somando técnicas que são herança cultural da região, com uma nova visão apresentada pelos profissionais, as artesãs que trabalham com palha de trigo, acostumadas a fazer apenas sportas (sacolas) e chapéus coloridos, passaram a confeccionar peças diferentes, a colorir as dressas com um tom nunca utilizado antes: o preto, e a perceber que pequenos detalhes, como as pontas das dressas deixadas nos objetos, dão um novo visual. “Com esse projeto elas vão sair do feijão com arroz, vão produzir peças diferenciadas, agregar valor e dar visibilidade a esse artesanato. É um outro mercado que se abre”, diz a extensionista de Bem-estar Social da Emater/RS-Ascar de Bento Gonçalves, Maria de Lourdes Pancotte.

A escolha de quais peças deverão ser produzidas até agosto, para compor a coleção e o ambiente na Casa Brasil, e a quantidade, são definidas pelos profissionais. A coleção será comprada pelo Sindmóveis, e as artesãs terão suas peças inseridas em um catálogo (para divulgação e encomendas) e um espaço para comercialização dos produtos no evento.

Nhanduti
A beleza e a delicadeza do nhanduti (palavra que em tupi-guarani significa teia de aranha) chamam a atenção nos trilhos e jogos americanos exibidos pela artesã Iara Ana Carine Medeiros. A professora aposentada aprendeu a técnica de renda artesanal com a avó que, por sua vez, aprendeu com primas que residiam em Caxias do Sul. A origem da técnica, ela conhece apenas de pesquisas na internet, que indicam que ela teria sido difundida nos países latino americanos pela dominação espanhola e que teria alcançado o Brasil especialmente através do Paraguai. Iara conta que foi uma amiga que conhecia o seu trabalho que levou algumas peças para mostrar na primeira oficina do grupo, na segunda-feira. Como o artesanato agradou, ela se somou à turma.

O trabalho consiste em uma trama radial montada sobre um bastidor (espécie de tear pequeno) e que depois é bordada no centro. É uma arte manual demorada e trabalhosa. É preciso em média uma hora para fazer cada quadradinho, que depois é unido a outros para formar a peça.

Iara explica que retomou a técnica quando se aposentou, e que o artesanato é uma atividade terapêutica e ocupacional, não voltada para a geração de renda, já que está restrita a encomendas de amigas.

Conhecedora de uma técnica que poucos dominam, ela lamenta ainda não ter conseguido passar adiante, já que só tem filhos homens. Mas afirma que esse conhecimento não pode ser perdido, precisa ser passado adiante e valorizado. Para a extensionista da Emater/RS-Ascar, a visibilidade que o projeto dará ao artesanato poderá despertar o interesse das pessoas em aprender a técnica do nhanduti, além de criar novas oportunidades para a artesã.


Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional de Caxias do Sul
Jornalista Rejane Paludo
repal@emater.tche.br