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13/04/2018

Comunidades Guarani de Viamão celebram Mês do Índio com diversas atividades

Corrida com tora, cabo de guerra, arco e flecha, pontaria de lança, trilha e artesanato típico da cultura Guarani são algumas das atividades oferecidas nesta semana (de 11 a 13/04) na Comunidade Mbyá da Terra Indígena Jata´Ity, na Estrada Cantagalo, em Viamão. O objetivo é celebrar o Dia do Índio. As comemorações atraem estudantes e pesquisadores, que participam de atividades típicas da cultura e dos hábitos indígenas.

Ainda em Viamão, a Comunidade Mbyá Tekoá Pindó Mirim, localizada em Itapuã, também celebra a data com vivências realizadas até o final do mês (de 16 a 20/04 e de 23 a 27/04), com cantos, danças, jogos e pinturas corporais, além de oficina de gratismo em camisetas.

Para o cacique da Cantagalo, Vherá Jayme, as atividades no mês de abril são direcionadas para não índios, para que conheçam a cultura indígena. "Para nós, é sempre nosso dia, com nossa cultura, nossas atividades", diz, ao destacar, como novidade neste ano, a exibição do vídeo Nhemonguetá, que significa aconselhamento, que pode ser em qualquer área da vida. O vídeo foi gravado há três anos nas três aldeias Guarani de Viamão: Cantagalo, Itapuã e Estiva, e será reapresentado dia 18, às 19h, no Instituto Federal do RS (IFRS), Campus Viamão.

Na última quarta-feira (11/04), mais de 70 pessoas, entre alunos e professores do IFRS, estiveram na Aldeia Cantagalo, para acompanhar as atividades dos Guarani. Coordenados pelo professor Robério Garay Correa, do Núcleo de Ações Afirmativas, as alunas de Meio Ambiente, Annia dos Anjos e Maria Eduarda Maia de Lima, ambas com 15 anos, estiveram na aldeia pela primeira vez e avaliam a atividade como uma experiência única, por conhecer a cultura indígena e levar esses conhecimentos para a sala de aula e os estudos.

SEGURANÇA E SOBERANIA ALIMENTAR
A aldeia Cantagalo tem mais de 60 anos, mas sua demarcação data de 1999. São 283 hectares, entre Viamão e Porto Alegre, onde vivem 52 famílias, que produzem milho, aipim, batata-doce e amendoim. Na área há uma escola estadual Karai Arandu, onde estudam 145 índios de 5 a 15 anos e está sendo implantada uma horta.

Uma parte importante dos alimentos consumidos na escola é cultivada por três famílias Guarani da própria comunidade, que comercializam através do Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae). De acordo com o indígena Celso Acosta, um dos responsáveis pela horta, são produzidas nesta área batata-doce, aipim, feijão, couve, beterraba, cenoura, repolho, tempero verde e alfaces. "A falta de chuvas tem prejudicado a horta, mas uma cisterna está sendo providenciada para garantir essa produção durante o ano todo e estamos buscando recursos, junto à SDR, para implantarmos um sistema de irrigação", diz Maristela Rempel Ebert, socióloga da Emater/RS-Ascar de Viamão. Recentemente também a SDR forneceu sementes de olericultura e insumos visando fomentar e no caso ampliar a produção de alimentos e a reestruturação da horta escolar.

"Há dois anos e meio, a partir das demandas apresentadas pelos indígenas, a Emater auxilia a comunidade a se organizar para produzir", destaca Maristela, ao salientar o projeto de segurança e soberania alimentar. Ela também cita, como projetos em andamento, a instalação de um pomar, a inserção da comunidade no processo de turismo com as demais aldeias e remanescentes de quilombos, e a parceria com o IFRS em dois projetos, o agrofloresta e o EcoViamão.

Uma novidade na aldeia Cantagalo é a realização de uma trilha, em meio à mata nativa, cujo percurso íngreme apresenta diversas espécies de árvores e de plantas que os Guarani identificam para tratar desde dores de cabeça e de estômago a fraturas, espinhas e vermes. No mato há ainda uma armadilha para pegar tatu e gambá, feita com galhos e troncos de árvores, e uma pedra, considerada lugar sagrado pelos indígenas, onde é possível ter a visão da aldeia e de boa parte da Terra Indígena do Cantagalo.

De acordo com o cacique Jayme, além da horta escolar e da cisterna, a comunidade planeja implantar criação de abelhas sem ferrão, que servirá também, assim como as sementes e árvores como erva-mate, para dar nome às crianças Guarani.

Interessados em conhecer o modo de vida dos Guarani da Cantagalo podem contatar a Escola pelo telefone 51-3108-830 ou pelo e-mail karaiarandu28cre@educacao.rs.gov.br. A Terra Indígena fica na Estrada Cantagalo, 3725.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
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