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12/09/2017

Seminário capacitou artesãos rurais e indígenas em Santa Maria

Cerca de 80 pessoas participaram do Seminário Regional de Artesanato Rural e Indígena ocorrido na segunda-feira (11/09) nas dependências do Sine e no auditório da Prefeitura, em Santa Maria, no centro do Estado, reunindo agricultores familiares e indígenas da etnia Kaingang em torno da expansão dos seus empreendimentos e regularização da atividade do artesão. Participaram ainda extensionistas da área social dos 35 municípios de abrangência administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, que assistem a esses artesãos rurais e indígenas na produção de peças oriundas da matéria-prima obtida basicamente em suas propriedades como recurso natural.

O público pode acompanhar a realização de cinco oficinas de capacitação no turno da manhã, na sede regional da Fundação Gaúcha do Trabalho e Serviço Nacional de Emprego (FGTas/Sine), e de quatro palestras, na parte da tarde, na prefeitura, com debates sobre a produção do artesanato rural e indígena, a regulamentação da carteira de artesão, como empreender negócios nessa área, e sobre o artesanato como fonte de geração de renda na propriedade rural. As oficinas tiveram como tema matérias-primas do artesanato rural gaúcho, como couro cru, palha, lã crua, madeira e porongo. A oficina de couro cru foi ministrada pelos agricultores Gabriel Wacht dos Santos, de Santiago, e Filipe Dalcin, de Santa Maria, que demonstraram como melhorar o corte e o arremate das peças, dando dicas sobre a atividade de guasqueiro, isto é, aquele artesão rural que trança tiras em couro.

A oficina de palha foi ministrada pelas artesãs de São João do Polêsine, Ivanilde Pauletto e Mercedes Buriol, que demonstraram o aproveitamento da palha de milho da variedade Pagnoncelli, desenvolvida pela Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) e indicada para trabalhos manuais pela sua textura, maleabilidade e cor, em bonecas, flores, cestos, broches, chapéus e decoração de diversos objetos.

A lã crua foi o tema da oficina das extensionistas da Emater/RS-Ascar Cristina Renner Karsburg, de Cerro Branco, e Isabel Vivian, de Cachoeira do Sul, quando foram demonstradas etapas de aproveitamento do produto, como o uso do tear, a colocação da urdidura, tecelagem e confecção de peças, acabamentos e arremates. Também foram abordados aspectos da comercialização, preservação do meio ambiente, higiene e segurança no trabalho. A oficina ainda contou com a participação da agricultora e artesão Ana Helena Bernardes, de São Pedro do Sul, que falou sobre a personalização das peças em lã crua.

Já o porongo, que tradicionalmente é utilizado na fabricação de cuias, foi o produto demonstrado pelo casal de agricultores e artesãos Virlei Iensen Felicidade e Roseli de Fátima Fernandes Verfle, de São Pedro do Sul, para a fabricação de artesanatos variados, convertendo-se em fonte de renda para a família. O casal de agricultores Claudio e Iolinda Benetti, de Formigueiro, trouxe peças artesanais de madeira para demonstrar o uso dessa matéria-prima na produção de pratos, tigelas, pilões, talheres, quadros, miniaturas e objetos entalhados, atentando para o aproveitamento correto do produto bruto. Para Benetti, o evento foi de grande importância, pois ofereceu aos cidadãos da comunidade rural e indígena a oportunidade de mostrar seu trabalho e trocar experiências. “Para mim o artesanato começou como um passatempo, um hobby, mas as pessoas começaram a se interessar no meu trabalho e hoje ajuda na renda de casa. O evento proporcionou um intercâmbio, uma troca de ideias, que é muito importante e acho que deveria acontecer mais vezes para que a gente possa mostrar mais material”, disse o artesão.

Palestras
Na palestra sobre o artesanato como forma de inclusão social, a gerente do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar, médica-veterinária Regina Hernandes, apontou que a comercialização de artesanatos, além de atuar como complemento para a renda na agricultura familiar e até mesmo como meio de sobrevivência para alguns grupos, também serve como ferramenta de incentivo à permanência de jovens no meio rural. Ela ressaltou que atualmente a produção artesanal pode ser uma alternativa, principalmente para a juventude e as mulheres adquirirem independência produtiva e terem uma fonte de renda própria. Além disso, Regina afirmou que o artesanato pode promover a interação entre grupos e trocas de experiências, e ainda aumentar a autoestima e o crescimento pessoal dos envolvidos.

“A Emater aparece neste cenário com a função de auxiliar na qualificação dos profissionais e na promoção de eventos que capacitem e incentivem a produção artesanal por parte da agricultura familiar e da população indígena, principalmente no que diz respeito ao manejo das principais matérias-primas utilizadas na região Central do Rio Grande do Sul, que são a lã, o couro, a palha de milho, o trigo, o porongo e a madeira”, detalhou a dirigente.

O Seminário contou também com a presença da coordenadora Estadual do Programa Gaúcho de Artesanato, Marlene Leal, que apontou os benefícios e as vantagens obtidas a partir da aquisição da Carteira de Artesão. “Além de possibilitar que o produtor comercialize seus produtos em feiras que acontecem fora do estado, a Carteira do Artesão desempenha um papel de seguridade ao possibilitar que a profissão seja executada dentro dos parâmetros legais”.

Para influenciar a geração de novos empreendimentos a partir do artesanato, a técnica administrativa do Sebrae, Maria Camila de Oliveira Pahim, palestrou sobre os “Negócios Campeões”. Indagando os presentes sobre o porquê de alguns negócios terem grande sucesso e outros não conseguirem o mesmo êxito, Camila apresentou os “comportamentos campeões” e explicou a importância de aproveitar as oportunidades, correr riscos “calculados” e estar sempre buscando novas informações. Para ela, os empreendedores precisam saber “desaprender e reaprender”; o uso de canais de integração e meios visuais de divulgação, como o uso de catálogos e de redes sociais, aparece como ferramenta essencial para os negócios da atualidade; além disso, a personalização dos produtos, através de criações exclusivas, e a humanização dos clientes, por meio de um tratamento diferenciado, são os principais nichos de mercado da atualidade e devem ser aproveitados também pela produção artesanal.

O cacique Kaingang Darci Sales, representante dos indígenas Kaingang em Santa Maria, trouxe a informação de que cerca de 200 famílias dependem completamente da venda de artesanatos, que é o principal meio de sustento da tribo. De acordo com Sales, as fibras, palhas e cipós utilizados pelos indígenas nas peças artesanais são buscados em municípios distantes de Santa Maria. “As pessoas de Santa Maria e da Emater têm ajudado muito, mas queríamos plantar mais, ter mais cipó e as palhas, porque buscamos tudo longe”, disse o líder indígena.

A fala final do evento esteve a cargo do diretor técnico da Fundação Gaúcha do Trabalho (FGTas), Darci Cunha, que apresentou uma nova ideia para ser aproveitada pela produção artesanal dos municípios presentes. Ele abordou a importância de as comunidades artesãs, em conjunto com as lideranças locais, organizarem peças de artesanato que representem as localidades e façam com que os municípios sejam lembrados pelos visitantes. Segundo ele, existem pesquisas apontando que, em algumas cidades, as peças de artesanato produzidas a partir de símbolos locais são responsáveis por cerca de 50% da venda artesanal.

O Seminário foi promovido pela Emater/RS-Ascar, Casa Civil e RS Mais Igual, Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (SDSTJDH), Fundação Gaúcha do Trabalho e Serviço Nacional de Emprego (FGTAS/Sine) e Programa Gaúcho do Artesanato, com apoio da Prefeitura de Santa Maria e Sebrae/RS.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional Santa Maria
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