Área Técnica
Alerta Fitossanitário
Spodoptera albula (Walker, 1857) (Lepidoptera, Noctuidae) Nova Praga do Amendoim
Procura-se esta mariposa, principalmente, na cultura do amendoim.
A divisão de Vigilância e controle de pragas do Ministério da Agricultura está alertando sobre a ocorrência dessa espécie no estado de São Paulo.
Trata-se de uma praga polífaga, que pode atacar também soja, milho, hortaliças e outras culturas.
Qualquer informação sobre a possível ocorrência dessa espécie no estado deverá ser comunicada à Divisão Técnica - Área de Defesa Sanitária Vegetal pelo e-mail da Gerência Técnica
Introdução
A região de Tupã, na Alta Paulista, é uma das maiores produtoras de amendoim do Estado de São Paulo, contribuindo com 10% da produção total. As regiões de Jaboticabal e Ribeirão Preto também são grandes produtoras, com 19% e 31% da produção do estado, que produziu 90% de todo o amendoim colhido no Brasil na safra de 97/98 (Freitas 1998).
A cultura do amendoim é normalmente atacada por várias espécies de lepidópteros, entre elas Spodoptera frugiperda, Mocis latipes, Anticarsia gemmatalis, Stegasta bosquella, Stylopalpia costalimai, cujas lagartas chegam a causar grandes danos.
Recentemente ocorreu um surto de lagartas no município de Tupã, em fevereiro de 2000, que em função dos danos causados e da grande quantidade chamou a atenção dos agricultores e técnicos da região. Algumas lagartas foram enviadas a área de Entomologia do Instituto Agronômico através do Dr. Ignácio José de Godoy em 04/02/2000, as quais foram mantidas placas de Petri contendo vermiculita, em temperatura ambiente. As pupas foram mantidas em gaiolas até março, quando emergiram duas fêmeas e um macho. O período pupal foi de 10 dias. O exame da genitália, baseado no trabalho de Todd & Poole 1980, revelou tratar-se de Spodoptera albula (Walker, 1857). O material foi depositado na Coleção Entomológica do Instituto Agronômico de Campinas. O registro de sua primeira ocorrência em amendoim no Estado de São Paulo foi encaminhado pelos autores para publicação nos Anais da Sociedade Entomológica do Brasil.
Distribuição
O gênero Spodoptera (Noctuidae Amphipyrinae) apresenta distribuição principalmente tropical e subtropical, mas algumas espécies que ocorrem no dois hemisférios, ocorrem também em regiões temperadas, sendo representado na região neotropical por 16 espécies. A espécie Spodoptera albula, que até 1989 era citada como Spodoptera sunia, ocorre desde o Brasil até a região sudoeste dos Estados Unidos. Parece estar ausente ou no mínimo incomum nas regiões Andinas (Tood & Poole 1980). É espécie muito próxima de Spodoptera eridania , cuja caracterização específica depende do exame de genitália.
Sinonímia:
Spodoptera sunia auct. nec Guenée
Spodoptera orbicularis (Walker)
Spodoptera caudata (Walker)
Descrição
As mariposas adultas medem de 26 a 37 mm de envergadura, as asas anteriores e corpo são acinzentados e as asas posteriores são brancas. A característica marcante desta espécie é a presença de uma faixa longitudinal escura na base da asa anterior. As lagartas variam de preto-acinzentadas a castanho-acinzentadas, com duas fileiras dorsais de manchas triangulares pretas ou escuras, cada uma delas com um ponto branco no centro. Linha subespiracular ausente ou fraca. Linhas dorsal e subdorsal frequentemente amarela brilhante, vermelha ou laranja, podendo ser fracamente marcada. Cabeça castanha com manchas pretas (King & Saunders, 1984).

Adulto e larvas de Spodoptera albula


Spodoptera albula - Genitália masculina
Hospedeiros
Spodoptera albula é uma espécie polífaga, registrada na literatura como praga de tomate, soja, milho, sorgo, hortaliças, algodão, ervilha e beterraba (King & Saunders 1984, Savoie 1988). A alta infestação na safra 99/00 e sua reincidência nesta, nos leva a acreditar no seu potencial como praga do amendoim no Estado de São Paulo, onde já houve necessidade de controle químico.
Danos
As lagartas novas raspam as folhas e as mais desenvolvidas as destroem completamente. Essas lagartas tem hábitos noturnos, escondendo-se no solo, o que, aliado à arquitetura da planta, aparentemente tem dificultado o seu controle. Segundo Savoie (1988) o manejo dessa espécie deve ter um enfoque mais ecológico, por se tratar de praga das mais resistentes a inseticidas sintéticos.
Agradecimentos
Aos colegas Prof. Dr. Roberto A. Zucchi e Prof. Dr. Sinval Silveira Neto, da ESALQ/USP, pelo auxílio na identificação do material.
Ao Dr. Pierre Zagatti, do INRA, pela permissão do uso das fotos- Copyright INRA 2001 in : Catalogue of the Lepidoptera of the French Antilles, URL http://www.inra.fr/papillon/
Literatura
Freitas, S.M. de. 1998. Amendoim das águas. In: Prognóstico Agrícola: 1998/1999, São Paulo, IEA, p 157-160.
King, A.B.S. & Saunders, J.L. 1984. The Invertebrate Pests of Annual Food Crops in Central America. London: Overseas Development Administration. 166p.
Poole, R.W. 1989. Lepidopterorum Catalogus (N.S.), fasc. 118, Noctuidae pt. 2, New York: E. J. Brill / Flora & Fauna, 512p.
Todd, E.L. & R.W. Poole. 1980. Keys and illustrations for the armyworm moths of the Noctuid Genus Spodoptera Guenée from the Western Hemisphere. Ann. Entomol. Soc. Am. 73: 722-738.
Savoie, K.L. 1988.Alimentación selectiva por especies de Spodoptera (Lepidoptera: Noctuidae) en un campo de frijol con labranza mínima. Turrialba 38: 67-70.
Fontes:
Instituto Agronômico
Autores:
Ministério da Agricultura e do Abastecimento ( Ofício DPC/CPP/DDIV Nº 001/2001)


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