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Área Técnica

Silvicultura

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O Programa de Silvicultura da Emater/RS-Ascar apresenta 4 eixos principais de trabalho: adequação ambiental das propriedades rurais; florestas comerciais; sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta; e extrativismo florestal.

1. A adequação ambiental da propriedade rural decorre das demandas por um ambiente sustentável, que compatibilize os sistemas produtivos e o equilíbrio ecológico, relacionado à conservação da vegetação, da fauna, dos solos, da água, enfim, de um ambiente saudável para as atuais e futuras gerações, conforme o Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum (1987). Além disso, as demandas relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) relacionado à adequação ambiental dos imóveis das famílias de agricultores, relativas à legislação e os passivos ambientais que deverão ser recuperados.

2. O tema das florestas comerciais relaciona-se à necessidade de suprimento de madeira de qualidade para os agricultores e, também, para o abastecimento das cadeias produtivas, desde as cadeias de madeira sólida para serrarias e processamento industrial de papel e celulose, até o aproveitamento sobras de desbastes, como insumo energético ou outra forma de aproveitamento, nas diversas regiões do estado.

O foco do trabalho está na capacitação técnica dos extensionistas rurais com vistas a uma melhor interação com o setor e a prestação de assistência técnica aos produtores rurais interessados, orientando os sistemas produtivos e as possibilidades futuras de mercado.

3. Os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta são formas de organização dos fatores de produção que compatibilizam interesses de produção, geração de renda e matérias primas (agrícolas, pecuária e florestal) com sustentabilidade ambiental e social, através da integração em sistemas agrossilvipastoris, silvipastoris e agroflorestais, onde o componente arbóreo representa um desafio técnico a ser manejado e compatibilizado no sistema de produção.

4. O extrativismo florestal diz respeito a sistemas de produção, tanto em comunidades tradicionais e famílias do campesinato, que manejam produtos de extrativismo, como frutas nativas, sementes, fibras, porongo, pinhão etc. A necessidade é de capacitação técnica frente ao emaranhado de restrições ambientais/legais e a complexidade do manejo agroextrativista que permitam aos extensionistas rurais prestarem assistência técnica de qualidade às famílias beneficiárias.

CENÁRIO DA SILVICULTURA EMPRESARIAL NO RIO GRANDE DO SUL

No Rio Grande do Sul são cultivados três principais gêneros florestais, Acacia, Eucalyptus e Pinus, para abastecer diferentes segmentos da cadeia produtiva de base florestal como: madeira serrada para uso na construção civil e indústria moveleira, produção de painéis (MDF e MDP), compensados, aglomerados, laminados e faqueados, celulose e papel, resinas (breu e terebintina), tanino e seus derivados, postes de madeira tratada, cavacos para a produção de celulose, energia (lenha e carvão), pellets e mudas florestais.

São cultivados 781 mil hectares com florestas plantadas, correspondendo a 2,7 % do território estadual, sendo 54,6 % com eucalipto, 33,9 % com pinus e 11,5 % com acácia, perfazendo 10 % da área plantada com silvicultura industrial no Brasil. A participação da indústria de base florestal no PIB estadual é de 4%, gerando 7% dos empregos e 3% da arrecadação de impostos (Ageflor, 2017).

Tabela 01 – Municípios com as maiores áreas plantadas no Rio Grande do Sul (Ageflor, 2017)

Tabela 01

Tabela 02 – Evolução da área plantada com as principais culturas florestais no Rio Grande do Sul (Ageflor, 2017)

Tabela 02

Figura 01- Evolução da área plantada com as principais culturas florestais no Rio Grande do Sul (Ageflor, 2017)

Figura 01

Com relação às florestas plantadas o gênero eucalipto é a principal cultura florestal, com 52%, ou 308.500 ha, da área plantada com florestas comerciais no estado. Sendo 89% destas áreas pertencentes às indústrias de celulose, painéis de madeira reconstituída e de serrados e compensados, e 10% pertencentes a produtores rurais e empreendimentos com financiamento de fundos de investimento.

Os sistemas de manejo de florestas de eucalipto são basicamente: o regime de ciclo curto, com rotação de 6 a 7 anos, com condução da rebrota por mais uma ou duas rotações, sem desbastes ou desramas; e o regime de alto fuste, onde são previstos desbastes intermediários com vistas à produção diversificada, como toras para serrados e compensados e lenha para energia e escoras para construção civil.

Quanto à produtividade dos povoamentos no Rio Grande do Sul apresenta incremento médio anual (IMA) variando de 38 a 42 m³/ha/ano.

Com relação ao gênero Pinus a área plantada representa 31%, ou 184.500 ha, no estado. Deste total 45% das áreas pertencem a produtores rurais e empreendimentos com financiamento de fundos de investimento e 38% pertence às indústrias de serrados e compensados.

Os sistemas de manejo de florestas de pinus envolvem a implementação e o planejamento conforme segue: previsão da densidade inicial, regime de desbastes, regime de podas e idade da rotação. No RS estão presentes dois regimes – de ciclo curto e multiproduto.

Regime de ciclo curto: adotado pelas indústrias de celulose, painéis de madeira reconstituída e para produção de toras de menor diâmetro, sendo 1.600 indivíduos a densidade inicial por hectare, sem poda, sem desbaste e corte raso entre os 12 a 18 anos de idade. Maximiza o volume de madeira produzida.

Regime multiproduto: empregado pelas indústrias da madeira sólida, que utilizam toras de maior diâmetro, buscando a diversificação de produtos, desde toras finas para celulose e papel e pinéis de madeira reconstituída e toras maiores para serrarias e laminadoras. A densidade inicial é de 1.600 arvores por hectare, com ou sem podas, com dois ou mais desbastes comerciais, e corte raso a partir de 16 anos de idade. Este regime tende a maximizar a receita com a produção de toras de maior valor agregado.

A produtividade, IMA fica entre 28 a 32 m³/ha/ano, entretanto observam-se variações devido a variações de solo e clima nos diferentes sítios de produção.

A atividade de acacicultura conta com 100.000 hectares de área plantada, perfazendo 16,8% da área plantada com silvicultura no estado. Do ponto de vista da participação de agricultores na área plantada, esta espécie tem uma expressiva participação de agricultores familiares e médios, contando com 35.000 famílias, desde a produção de mudas, plantio, colheita e transporte.

Os plantios desta espécie encontram-se concentrados em 84 municípios dos 497 totais do estado, concentrados nos municípios de Montenegro, Encruzilhada do Sul e Piratini. Os objetivos de produção são para a extração de tanino – casca; e cavacos para as indústrias de celulose e geração de carvão e energia – madeira.

O manejo se restringe a um ciclo de entorno de 7 anos, sem desbastes e sem podas, em densidades de plantio de 2.000 a 2.500 plantas por hectare. A produção estimada é de 18 a 20 m³/ha/ano.

Responsáveis pelas Informações

Eng. Florestal Antonio Carlos Leite de Borba
Emater/RS-Ascar