Alternativa Tecnológica

Produção de leite a pasto   /  Pastoreio Rotativo

Kirchof, Breno*

 

As pequenas propriedades familiares podem obter maior produção de leite, com menor custo, usando melhor as pastagens. Hoje, como antigamente, as pequenas propriedades agrícolas possuem somente um, ou no máximo dois, potreiros para seus animais. Como conseqüência, algumas partes do potreiro nunca são pastejadas e as partes pastejadas não conseguem se recuperar porque, quando rebrotam, são imediatamente consumidas. As pastagens começam a se degradar e acabam sendo tomadas pelos pastos menos produtivos, pelos inços e arbustos.

A mudança do pastoreio num potreiro para o pastoreio rotativo (vários piquetes) é a primeira atitude para melhorar a rentabilidade da exploração leiteira.

Com isto, estarão melhorando a sustentabilidade de suas propriedades e produzindo um leite mais barato e mais ecológico. Também, é importante que o produtor tenha boas pastagens, tenha um número de vacas com razoável padrão zootécnico e que saibam manejar adequadamente estes pastos.

A EMATER/RS vem trabalhando esta idéia com os pequenos produtores de leite, faz três anos. Os resultados alcançados foram além da expectativa, tanto que hoje já existe um número muito grande de produtores que adotaram este esquema, principalmente na Região Noroeste do Estado.

O manejo é uma parte fundamental na produção e durabilidade dos pastos. O manejo tem por objetivo ter disponível um pasto jovem e abundante para as vacas na maior parte do ano e que este pasto não se degrade. Isso é conseguido dividindo-se a área dos pastos, fazendo pastoreio rotativo e fazendo-se adubação orgânica.

Para dividir a área de pastagens usa-se a cerca elétrica fixa. Os piquetes devem estar localizados perto da sala de ordenha e da casa para facilitar o controle. O pastejo das vacas dura, no máximo, um dia e deve-se ter, no mínimo, 30 piquetes. Calcula-se o tamanho de cada piquete em 50 metros quadrados por vaca por dia. A quantidade de vacas na propriedade é a chave para determinar o tamanho dos piquetes.

Os piquetes devem ser desenhados com um corredor que permita o manejo fácil das vacas e sendo possível, permita às vacas procurarem sombra nos dias mais quentes do ano. Cada dois piquetes devem ter uma torneira com água que permita acoplar um pequeno bebedouro móvel. A água nos piquetes é muito importante, uma vaca necessita de 50 litros de água por dia que deve estar à disposição nos piquetes. Os piquetes também devem ter um cocho móvel para sal mineral.

No manejo, um fator importante é que não deve sobrar pasto após a passagem das vacas. No caso de haver sobra esta deve ser ceifada. Há a possibilidade de integração das vacas leiteiras com ovinos. Os ovinos devem seguir as vacas nos piquetes onde comerão o pasto que as vacas não consumiram. Com esta integração não necessitamos cortar o pasto que sobrou e temos outra fonte de renda com os ovinos. Após a saída dos animais, deve-se espalhar o esterco e se for o caso aplicar a adubação orgânica.

No primeiro pastoreio devemos usar animais mais leves (jovens). O esquema é fazer o primeiro uso deixando os animais apenas pela manhã. No segundo uso deixar os animais de manhã e à tarde e no terceiro uso o dia inteiro. Em agosto, setembro e outubro é o início do uso mais intenso dos pastos, deve-se acompanhar a sobra ou falta de pasto. Em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro considera-se o uso normal, as sobras de pasto devem ser cortadas para feno ou silagem. Em março, abril e maio deve-se readequar o uso à disponibilidade do pasto. Nos meses de junho e julho o uso visa sempre a manutenção do pasto e é mais esporádico. O pastejo inicia somente quando o pasto jovem está na altura adequada.

Se a pastagem sofrer por seca ou geada, a primeira providência é diminuir o tempo de permanência dos animais e nos casos mais graves retirar os animais. Na época de muito pasto cuidar para não passar do ponto porque os animais não dão conta. Neste caso deve-se ceifar os piquetes que sobram para fazer feno ou silagem. Se deixar o pasto passar do ponto ele ficará velho, aumentará a fibra, baixará a proteína e a digestibilidade.

No pastoreio rotativo aumenta a produção de leite porque há um aumento da proteína e da energia nos pastos, que ficam com um valor muito mais alto do que num pasto sem este manejo, conforme podemos ver na informação a seguir:

Com o pastoreio rotativo, a produção de leite é maior e mais estável porque as vacas estão recebendo, todos os dias, pasto no ponto ótimo de consumo para a época. Os dados de produção de leite, a seguir, são de duas propriedade semelhantes quanto ao rebanho:

 

Propriedade A- Pastoreio rotativo: nenhuma queda brusca na produção de leite que lentamente diminui a produção da primavera ao outono.

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Propriedade B- Potreiro único: menor produção de leite, quedas bruscas de produção e queda acentuada na entrada do outono.

Com o pastejo rotativo diminui os inços e melhora a digestibilidade do pasto, como podemos ver pelos dados a seguir:

Através do corte regular, com sobra adequada e boa adubação do esterco, melhora a produção do conjunto de gramíneas e leguminosas no piquete. O pasto duro e os inços diminuem bastante. A melhora da qualidade do pasto traz como conseqüência uma maior produção de leite e das sobras de pasto um feno ou silagem de melhor qualidade.

Junto aos piquetes deve haver uma área de sombra para que os animais possam se abrigar nas horas mais quentes do dia. Esta área de sombra pode ser um mato limpo, algumas árvores ou uma área coberta. Nas horas mais quentes do verão, mais ou menos das 10 horas até as 16 horas as vacas devem permanecer na sombra. Num bom pasto as vacas não necessitam mais do que 4 a 5 horas para encher o rúmen, o que pode ser feito pela manhã e a tardinha sem prejuízo para a produção.

Com este sistema, usamos em torno de 1.600 metros quadrados por vaca, contra, no mínimo, 5.000 metros quadrados usados no método convencional.

 

Bibliografia

KLAPP, E. Wiesen und Weiden. 4.ed. Berlim: Paul Parey, 1971. 620p.

*Engenheiro Agrônomo da EMATER/RS. Escritório Central, fone (51)233-3144


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